No seguimento do artigo publicado no mês anterior, onde abordámos o Dia da Mulher, trazemos agora outro marco importante na luta pela igualdade de género: o direito de voto das mulheres em Portugal. Este foi um passo fundamental para a participação plena das mulheres na sociedade, mas que não aconteceu sem desafios e resistência.
Nem sempre foi garantido às mulheres o direito de escolher os seus representantes e de terem voz ativa nas decisões do país. Foi um caminho longo, marcado por luta, resistência e coragem.
Apenas em 1931, com muitas restrições, as mulheres com ensino secundário puderam votar, e só em 1976, após a Revolução de Abril, foi garantido o sufrágio universal em plena igualdade com os homens. Parece recente, não é?
A primeira mulher a votar em Portugal foi Carolina Beatriz Ângelo, em 1911. Médica e ativista feminista, Carolina conseguiu contornar a legislação ao argumentar que, sendo chefe de família e sabendo ler e escrever (exigências para os eleitores da época), tinha o direito de participar nas eleições para a Assembleia Constituinte. O seu voto foi um símbolo poderoso, mas o governo rapidamente alterou a lei para impedir que outras mulheres fizessem o mesmo. Só anos depois as mulheres começaram a conquistar este direito de forma mais alargada.
Este marco histórico está diretamente ligado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5) da ONU: Igualdade de Género. Este objetivo lembra-nos que ainda há trabalho a fazer para garantir que todas as pessoas, independentemente do género, tenham as mesmas oportunidades e direitos. A igualdade não é apenas um direito, é uma necessidade para um mundo mais justo e sustentável.
No escutismo, um movimento que desde cedo ensina valores como a cidadania, o respeito e a liderança, também encontramos exemplos de empoderamento feminino. Desde a fundação do movimento feminino pelas Guias, em 1910, até à plena integração das raparigas em várias associações escutistas, o escutismo tem sido uma escola de vida para muitas jovens, incentivando-as a serem protagonistas nas suas comunidades.
Se hoje podemos votar, decidir e participar, é porque alguém lutou para que isso fosse possível. Cabe-nos agora continuar essa missão, garantindo que a igualdade seja uma realidade em todas as áreas da sociedade. Como escuteiros e cidadãos ativos, o nosso compromisso é com um mundo onde cada pessoa possa fazer ouvir a sua voz.