O escutismo não é apenas um movimento juvenil. Para muitos de nós, é um modo de vida. Quando nos envolvemos como voluntários, seja como dirigentes, formadores ou simplesmente a apoiar atividades, tornamo-nos parte de um sistema que não trabalha para si mesmo, mas sim em benefício dos outros. E é nesse serviço desinteressado que encontramos o verdadeiro significado de ser escuteiro.
Quem já vestiu o lenço e fez a sua promessa sabe que isto não é apenas um “ritual”, mas sim um compromisso que se vive no dia-a-dia. O trabalho voluntário no escutismo molda o caráter, fortalece comunidades e deixa marcas profundas, tanto em quem recebe como em quem dá. Como dizia Baden-Powell, “A verdadeira maneira de alcançar a felicidade é fazer os outros felizes.” No escutismo, cada ação, cada serviço prestado e cada desafio superado refletem este princípio.
Há algo de especial em ver um jovem escuteiro crescer, superar desafios e tornar-se um adulto responsável. Como voluntários e dirigentes, temos o privilégio de acompanhar esse processo e, muitas vezes, ser a peça-chave para que isso aconteça. O nosso tempo e dedicação traduzem-se em experiências transformadoras para os mais novos: a primeira noite ao “relento”, a conquista do nó perfeito, a sensação de superação após uma caminhada difícil. Pequenos momentos que se tornam memórias marcantes.
O trabalho voluntário no escutismo vai muito além das atividades semanais. Está presente na dedicação de quem orienta os mais novos, no tempo investido a preparar cada encontro, nas longas reuniões. Vê-se no esforço para criar experiências que ajudem os jovens a crescer, na organização de atividades e eventos que promovem valores como a solidariedade e a cidadania, e na paciência de quem, discretamente, assegura que tudo funcione da melhor maneira. É um compromisso constante, muitas vezes invisível, mas essencial para que o escutismo continue a formar gerações de cidadãos ativos e responsáveis.
Muitas vezes, quem está de fora não compreende por que razão dedicamos tanto tempo ao escutismo sem esperar nada em troca. Mas nós sabemos. Sabemos porque já vimos o brilho nos olhos de uma criança ao montar a sua primeira tenda. Porque já sentimos o calor de um abraço de gratidão. Porque percebemos que, ao dar, recebemos muito mais.
Ser voluntário no escutismo é escolher acreditar na juventude e investir nela. É perceber que, mesmo em dias difíceis, o esforço vale a pena. É saber que cada jovem que ajudamos a crescer será um adulto mais capaz, mais humano e mais comprometido com o mundo à sua volta.
E talvez essa seja a verdadeira recompensa do nosso trabalho: saber que, de forma silenciosa e contínua, estamos a construir um futuro melhor.
Os valores promovidos pelo escutismo estão diretamente alinhados com vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como o ODS 4 – Educação de Qualidade, que se foca na aprendizagem ao longo da vida e no desenvolvimento integral dos jovens. Além disso, o ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes também se relaciona com o escutismo, uma vez que este promove a formação de cidadãos responsáveis, envolvidos e comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e pacífica.