História do Escutismo no Feminino

O Dia Internacional da Mulher é uma data que nos lembra da força, coragem e determinação das mulheres que transformaram e continuam a transformar o mundo. É também um momento para refletir sobre o nosso papel na construção de uma sociedade mais justa, equitativa e inclusiva, valores profundamente alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e com o espírito do Escutismo.

 

Desde os primeiros passos do Escutismo, as mulheres têm desempenhado um papel fundamental na construção, no desenvolvimento e na liderança do movimento. Ao longo das décadas, várias dirigentes e escuteiras destacaram-se pela sua dedicação, abrindo caminhos e deixando um legado que continua a inspirar novas gerações. Conhecer estas histórias é também reconhecer o contributo feminino para a missão educativa do Corpo Nacional de Escutas (CNE).

 

Entre as figuras históricas que ajudaram a afirmar a presença feminina no Escutismo destaca-se Olave Baden-Powell, esposa de Baden-Powell e primeira Chefe Mundial das Guias, cujo trabalho foi determinante para o desenvolvimento do movimento escutista feminino a nível internacional.

 

Importa também recordar Agnes Baden-Powell, irmã de Baden-Powell, que desempenhou um papel fundamental na fundação do Guidismo. Foi ela quem ajudou a organizar e estruturar o movimento das Girl Guides, permitindo que muitas raparigas pudessem viver o ideal escutista desde os primeiros anos do movimento

 

Outra figura marcante foi Vera Barclay, uma das mulheres que ajudou a fundar o Lobitismo, a atual 1.ª Secção do Escutismo. Para além do seu contributo pedagógico na criação e desenvolvimento desta secção, Vera Barclay destacou-se também pela defesa do papel e da liderança das mulheres no movimento escutista, contribuindo para abrir caminho à participação feminina em diferentes níveis de responsabilidade.

 

Em Portugal, várias mulheres também foram pioneiras na assumção de responsabilidades de liderança. Maria Rosa Piedade Teixeira Silva Maia tornou-se a primeira Chefe de Agrupamento eleita, tendo sido nomeada em Ordem de Serviço Nacional em 1956, no Agrupamento 67 – Bairro da Encarnação, pertencente ao Núcleo Oriental da Região de Lisboa. Este marco representou um passo importante para a participação feminina nas estruturas de liderança do CNE.

 

Outro momento significativo ocorreu em 1988, quando Maria de Lurdes Paiva Penalva Barral foi eleita primeira Chefe Regional, assumindo a liderança da Região de Setúbal. A sua eleição simbolizou o reconhecimento crescente das competências e do papel das mulheres na condução do movimento escutista.

 

Apesar destes avanços, a história do CNE mostra que ainda há caminhos por percorrer. Até hoje, o Corpo Nacional de Escutas nunca teve uma Chefe Nacional, tendo existido apenas uma Chefe Nacional Adjunta eleita, Maria Helena Guerra Andersen, que actualmente reside na Noruega. Ainda assim, importa destacar que são hoje muitas as mulheres que desempenham cargos de liderança no CNE, integrando Juntas de Núcleo, Juntas Regionais e várias equipas nacionais, contribuindo activamente para a orientação e desenvolvimento do movimento.

 

O percurso de dedicação ao Escutismo pode começar em qualquer fase da vida, como demonstra o exemplo inspirador de Adelaide Maria Medina Teles. Nascida a 12 de dezembro de 1935, fez a sua promessa de dirigente em 1994, quando já tinha 59 anos. Pertence ao Agrupamento 944 – Guadalupe, na Região dos Açores, Núcleo da Graciosa, sendo reconhecida como a mulher mais velha do CNE, um testemunho vivo de compromisso, serviço e entrega ao Escutismo.

 

Também na comunicação escutista se registaram conquistas importantes. Tânia Coutinho tornou-se a primeira mulher directora da revista Flor de Lis, publicação histórica do CNE que acompanha e divulga a vida do movimento há várias décadas.

Outra figura marcante é Alda de Jesus Fernandes, dirigente do Agrupamento 55 – Amadora, que esteve envolvida em diversas estruturas nacionais e regionais. Em 1988 tornou-se a primeira mulher documentada a receber o Colar de Nuno Álvares, a mais alta condecoração do Corpo Nacional de Escutas. Esta distinção é concedida desde 1926 e apenas cerca de 10% dos condecorados são mulheres, o que torna este reconhecimento ainda mais significativo.

 

Estas histórias mostram que o Escutismo também se constrói por meio do empenho, da visão e da liderança de muitas mulheres. Ao recordar estas pioneiras, celebramos não apenas o seu contributo individual, mas também o caminho que abriram para que cada vez mais raparigas e mulheres possam viver plenamente o ideal escutista: servir, liderar e ajudar a deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos.

 

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