Entre a serra e o mar, o Campo Escutista de Tavira acolheu, em setembro deste ano, 1200 escuteiros de toda a região algarvia. Mas o XIV ACAREG foi mais do que um acampamento regional: afirmou-se como uma verdadeira escola de cidadania em pleno contacto com a natureza. Sob a narrativa de “Anémoi” e a procura pelo equilíbrio da “Aurora”, os participantes foram desafiados a viver os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) num projeto que envolveu todas as secções, desde a preparação nas sedes até à vivência em campo.
Este ACAREG teve, contudo, um significado especial: a Região do Algarve candidatou-se e conquistou a Insígnia Compromisso 2030 enquanto região, tornando-se um exemplo nacional de articulação, ambição educativa e responsabilidade ambiental. Esta conquista coletiva não só valorizou o trabalho desenvolvido antes do acampamento, como reforçou a coerência da atividade: toda a metodologia aplicada em Tavira refletiu o compromisso assumido pela Região com os ODS.
A sustentabilidade guiou toda a atividade. O recinto foi organizado para ser um exemplo real de boas práticas, provando que é possível acampar com responsabilidade ecológica. Diariamente, foram contabilizados e partilhados com todos os participantes os dados sobre o consumo de água e energia, bem como a pesagem detalhada dos resíduos, separados por tipologias (orgânicos, recicláveis e indiferenciados). A inovação também teve o seu espaço, com experiências práticas de aproveitamento da energia solar, demonstrando como a vida em campo pode e deve aliar a técnica escutista às energias renováveis.
Para além da pegada ecológica, a sustentabilidade também se faz de pessoas. O registo dos quilómetros percorridos em transportes partilhados e a contabilização das “refeições salvas”, encaminhadas para organizações locais, alertaram para a importância da mobilidade sustentável e do combate ao desperdício alimentar. Estas ações, aparentemente simples, reforçaram a consciência de que o consumo responsável e a redução das desigualdades se constroem com decisões quotidianas.
Todo este dinamismo assentou num processo iniciado muito antes do acampamento, com a submissão da candidatura regional à Insígnia Compromisso 2030. Este enquadramento formal exigiu que os agrupamentos e respetivas secções realizassem um conjunto de desafios de preparação para o ACAREG, assumindo um compromisso sério com as metas do projeto. Em campo, esta preparação foi evidente: os ODS funcionaram como uma bússola invisível, orientando as decisões dos participantes de forma natural e inteligente. Mais do que os dias passados em Tavira, este método de trabalho garantiu que lobitos, exploradores, pioneiros e caminheiros regressassem às suas comunidades com competências consolidadas para serem agentes de mudança, honrando a promessa de deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraram.
A Insígnia Compromisso 2030 não é apenas um reconhecimento, é um caminho educativo que transforma comportamentos, desafia rotinas e aproxima os escuteiros de um mundo mais sustentável e justo. O exemplo da Região do Algarve demonstra que, quando o movimento se une em torno de um propósito claro, o impacto torna-se real e multiplicador. Uma oportunidade que todos os agrupamentos e regiões do país podem abraçar.