Para onde navegamos?

Resultados da Consulta à Sustentabilidade do CNE 2025

Para planearmos o futuro com responsabilidade, precisamos de conhecer as marés que navegamos hoje. Foi com esta premissa que o Departamento Nacional para os ODS (DNODS) promoveu a Consulta Nacional à Sustentabilidade. O objetivo foi claro: recolher informação sobre o estado atual das práticas de sustentabilidade nas nossas estruturas, identificar boas práticas, desafios e oportunidades de melhoria.

Este processo deu-se através de uma consulta abrangente, tratada de forma totalmente anónima, dividida em eixos cruciais: 1) Estratégia, 2) Meio Ambiente, 3) Responsabilidade Social e 4) Governança. Em nome do DNODS, deixamos um profundo agradecimento a todos os escuteiros que se disponibilizaram a responder. A vossa participação foi inexcedível, resultando na recolha de dados referentes a 353 Agrupamentos, 26 Juntas de Núcleo e 19 Juntas Regionais, com uma excelente dispersão geográfica.

A pergunta que se impõe é: Para onde navegamos? Os dados revelam uma vontade crescente de institucionalizar o cuidado com a Casa Comum. Atualmente, 58% dos Agrupamentos indicam ter ou planear ter alguém especificamente responsável pelas questões de sustentabilidade. Contudo, identificamos aqui a nossa primeira grande lacuna estratégica: apenas cerca de 1 em cada 4 Agrupamentos afirma avaliar a sua ação em sustentabilidade com regularidade. Sem avaliação periódica, torna-se difícil medir o real impacto das nossas ações locais.

No terreno, o escuteiro continua a ser um protetor da natureza, mas o espaço para melhoria existe. Metade dos Agrupamentos inquiridos (50%) garante separar sempre os resíduos durante as atividades. É um bom indicador, mas desafia os restantes 45% que o fazem apenas “algumas vezes” e os 5% que “raramente ou nunca” separam a darem um passo em frente. No que toca à economia circular, o cenário é bastante positivo: 84% dos Agrupamentos dinamizam ativamente bancos de fardas, uma ferramenta essencial de sustentabilidade ambiental e mitigação de custos económicos para as famílias. Destaca-se também a dinamização da economia de proximidade, com 3 em cada 4 Agrupamentos a favorecerem fornecedores locais.

A sustentabilidade não se esgota no ambiente ecológico, ela é profundamente social. Os dados demonstram uma excelente evolução em matéria de paridade e representatividade: 71% dos Agrupamentos e 58% das Juntas afirmam ter direções constituídas por 50% ou mais membros femininos. Ao nível da participação interna, a vitalidade democrática do CNE está bem presente, com cerca de 7 em cada 10 Agrupamentos a indicarem participação regular nos Conselhos e Encontros de Guias. Externamente, 45% consideram-se “muito participativos” nos fóruns de tomada de decisão local (como Assembleias de Freguesia e Conselhos de Juventude), mostrando um escutismo virado para a comunidade.

Os dados que agora partilhamos são a nossa bússola. Aproximamo-nos a passos largos do ano de 2030, a linha de meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Conscientes desta urgência, o próximo triénio do CNE (2026-2029) não pode ser apenas de continuidade passiva. Terá de ser, obrigatoriamente, um triénio de enorme consolidação e de alargamento das boas práticas aqui identificadas, assumindo a coragem necessária para corrigir as lacunas descobertas nesta consulta.

Resultados com base nas respostas dos participantes, refletindo a perceção e prática reportadas pelos próprios.

Departamento Nacional dos ODS
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